quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Entrevista exclusiva com Carlos Gerbase

Leia abaixo a entrevista exclusiva de Carlos Gerbase, professor, cineasta e escritor, ao Blog Direitos Autorais e Registro de Obras.



carlos gerbase



       Natural de Porto Alegre/RS e professor na PUCRS. Desde 1978, como roteirista e diretor cinematográfico, produziu sete longa-metragens e dez curtas. Como escritor tem quatro trabalhos de ficção e duas obras na área do cinema. Nesta entrevista dá sugestões sobre roteiros e adaptações, fala sobre suas experiências, direitos autorais e manipulação no ECAD.



Blog: Qual foi a sua adaptação, de livro para roteiro, mais fácil e qual a mais difícil de realizar?
Gerbase: A mais fácil foi do meu conto “Interlúdio” para fazer o curta homônimo, co-dirigido por Giba Assis Brasil. A mais difícil foi “Engraçadinha”, de Nelson Rodrigues, pois primeiro tive que entender o autor, para depois entender o texto.

Blog: O que acha das orientações dadas por Syd Field no capítulo 14- Adaptação do livro “Manual do Roteiro: os fundamentos do texto cinematográfico”, da Editora Objetiva?
Gerbase: Syd Field sempre é um bom ponto de partida. Dificilmente ele fala bobagem. Mas é importante notar que a sua perspectiva é totalmente comercial. Para Field, filme bom é filme com grande bilheteria. E nem sempre pensar dessa maneira conduz à obra de arte.

Blog: Quais adaptações, exceto as suas, considera melhores e piores para um aspirante a roteirista ter como referência?
Gerbase: Gosto de usar em sala de aula a novela “Breve Romance do Sonho”, de Arthur Schnitzler, que foi adaptado por Kubrick para o ótimo filme “De olhos bem fechados”. Como má adaptação, cito “A marca humana”, de Philip Roth, um romance genial, que virou um filme ruim demais, dirigido por Robert Benton.

Blog: Quais as diferenças de Mercado, nacional e internacional, a partir do momento em que o roteiro está adaptado e um roteirista consiga que uma empresa produtora decida filmá-lo?
Gerbase: Não sei responder. Não tenho experiência com mercado internacional. No Brasil, cada adaptação depende de um acordo prévio entre produtor (que comprou os direitos) e roteirista.

Blog: Quais orientações gostaria de ter recebido antes e que gostaria de passar agora se alguém lhe perguntasse sobre Direitos Autorais?
Gerbase: Antes de mais nada, temos que lutar contra a atual Lei de Direitos Autorais. Ela é nefasta e injusta para todos os artistas, com a provável exceção de alguns músicos, que comandam o ECAD.