segunda-feira, 20 de maio de 2013

O Escritor e o Café

O Escritor e o Café

          Manhã de segunda-feira. Vou para o trabalho. Chego antes de abrir.
          Penso:
          "- Vou tomar um café enquanto escrevo um pouco."
          Entro no bar. Peço uma taça de café preto, passado mesmo. Começo a escrever. A produção flui muito bem. Melhor que isso só se tivesse música também. De preferência bem baixinho, para não dispersar a concentração. Chega o horário de ir. Não levei meia hora, mas foi muito produtivo. Fecho o caderno de anotações e me dirijo ao caixa para pagar. Dou R$5,00 e recebo de troco R$2,50.
          Penso:
          "- A hora do salário mínimo está em R$3,08."
          Raciocino:
          "- Um livro custa em média R$20,00, e o escritor tem direito a 10% do valor de capa - muitos nem a isso chegam."
          Chego a seguinte conclusão:
          "- Para ter algum lucro terei de parar com o café."
          Será por isso que muitos escritores morrem na miséria? Pelo visto não tem jeito. Adeus à romântica imagem do escritor em frente da sua máquina de escrever com sua xícara de café ao lado. Daqui para frente, só água mesmo. De preferência da torneira, ou terei de parar de pensar. É isso.