terça-feira, 16 de outubro de 2012

A Linha RG x Pelotas - Texto

TEXTO INTEGRAL


A Linha Rio Grande x Pelotas

Claudiomiro Machado Ferreira *

M
oro em Rio Grande há quatro anos e viajo quinzenalmente para Pedro Osório, minha cidade natal. Não possuo carro e faço esse itinerário de ônibus. Como não há linha direta, preciso parar em Pelotas.
Ao subir no ônibus lembro que, entre outras informações, o motorista avisava o tempo estimado da viagem. Isso não fazia diferença, pois sabia, pela prática, que o percurso era de uma hora. Com o passar do tempo não avisavam mais. E o tempo de duração da viagem foi aumentado. Começou a levar uma hora e quinze minutos, uma hora e vinte minutos e ultimamente a média era de uma hora e trinta minutos. Na sexta-feira, dia 5 de outubro, a viagem levou duas horas.
O último ônibus para Pedro Osório sai às vinte horas e trinta minutos. Eu havia saído de Rio Grande às dezoito e trinta e só consegui subir porque o fiscal permitiu que eu entrasse sem passagem. Há tempos parei de pegar o ônibus das dezenove horas. E o das dezoito e trinta dava uma margem considerável. Desta vez não pude comprar passagem, escovar os dentes ou sequer ir ao banheiro, coisa que a maioria dos carros não tem mais hoje em dia. Da próxima vez terei de pegar os ônibus das dezoito horas?
Gostaria de um posicionamento oficial da empresa sobre a causa dessas demoras e se elas se justificam. Eu acho que não. E espero que não seja colocada a culpa na estrada. Usuários pagam a passagem e cidadãos pagam impostos. O mínimo é que haja harmonia entre os prestadores desses serviços. A aflição do atraso não foi nem aliviada pelo atendimento do motorista e do fiscal, que quando questionados, responderam que achavam que daria tempo de eu pegar o outro ônibus, o das vinte horas e trinta minutos, de Pelotas para Pedro Osório.
Considero essa situação humilhante e gostaria de alertar e exigir respostas e melhorias, pois não sou o único a usar e pagar por este serviço. Também aviso a empresa: Se algo pior acontecer algum dia, pois não tenho nem onde ficar em Pelotas, caso perca o ônibus, não hesitarei em procurar meus direitos e processar judicialmente a empresa de transportes. Sugiro que outros usuários, prejudicados em potencial, desde já busquem informações sobre os seus direitos, pois eu sei os meus e estou muito preocupado, pois um feriadão vem pela frente, dia 12 de outubro, e se a chuva não passar, não quero nem pensar no que pode acontecer.

* Servidor público. E-mail: claudiomiromafe@ig.com.br


TEXTO PARCIAL
Publicado no Jornal Agora, de 11 de out. de 2012, Seção Carta do Leitor, p. 2.